Entre mundos
Ana Maria Pinto é soprano, pedagoga, compositora e produtora. Natural do Porto, concluiu a sua formação no Conservatório de Música do Porto, na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE) e na Universidade das Artes de Berlim (UdK). Foi bolseira da Fundação Walter-Kaminsky, em Munique, durante um ano, e da Fundação Calouste Gulbenkian durante três anos.
Desde 2015, dedica-se ao desenvolvimento de projetos de educação pela arte, promovendo a ligação entre o ser humano e a Natureza. Em 2016, fundou a Novaterra – Associação Cultural Arte e Ambiente, dando continuidade à sua visão artística e pedagógica.
Paralelamente, realiza concertos de caráter imersivo, histórico e ambiental, utilizando taças de cristal e outros instrumentos sonoros que convidam à contemplação, à escuta profunda e à conexão com o ambiente envolvente.
Como cantora lírica desenvolveu um reportório bastante alargado, dando especial ênfase à Oratória e ao Lied. Em ópera destacam-se os papéis de Susanna (Le nozze di Figaro), Elle (La voix humaine),Blanche de La Force(Dialogues des Carmélites), Musetta (La Bohème), eKumudha (A flowering tree de John Adams). Em oratória interpretou grandes obras como A Criação de J. Haydn, Exultate Jubilate de Mozart, Ein deutsches Requiem de J. Brahms, Shéhérazade de M. Ravel, 4º Sinfonia de G. Mahler, Jeanne d'Arc au Bûcher de Honnegger, , Chanson de la mer et de l'amour de Chausson, Carmina Burana de Carl Orff, 9º Sinfonia e Missa Solemnis de Beethoven, Alfama de Andreia Pinto Correia, O Abismo e o Silêncio e Shyir de João Pedro Oliveira. Em 2021 estreou as óperas "Maria Magola" de Francisco Pontes e "Concílio Celeste" de Fátima Fontes.
Trabalhou com vários maestros, entre eles, Marc Tardue, Cesário Costa, Ferreira Lobo, Lawrence Foster, Joana Carneiro, Michel Corboz, Bertrand de Billy e Simone Young, com as mais importantes Orquestras do País. No estrangeiro apresentou-se em salas como o Victoria Hall em Genebra, o Teatro Nacional de Kosice (Hungria), a Catedral de Berlim ou a Chapelle de la Trinité de Lyon, na Konzerthaus em Izmir, Turquia, assim como na Konzerthaus em Rzeszów na Polónia. Em 2015 realizou uma tour com um programa dedicado a Robert Schumann e Richard Strauss na África do Sul e Namíbia com o pianista Nuno Vieira de Almeida.
Interpretou o papel de Cecilia no fime "Casanova Variations", onde contracenou com John Mallkovich e cantou com o tenor Jonas Kaufmann.
Em Agosto de 2009, gravou canções de Fernando Lopes Graça e Viana da Mota com o pianista Nuno Vieira de Almeida. Neste álbum de estreia, a crítica do Expresso classificou o soprano Ana Maria Pinto como "uma revelação".
Em janeiro de 2017, Ana Maria Pinto lançou o álbum Anterianas, dedicado à obra poética de Antero de Quental, reunindo canções de Luís de Freitas Branco e Franz Schubert. Em novembro do mesmo ano, editou Seven Songs for a New Earth, o seu primeiro álbum de canções originais, apresentado no Porto, em Colónia e na Guiné-Bissau.
Desde a adolescência, a composição musical tem acompanhado o seu percurso artístico. As suas primeiras canções foram distinguidas com vários prémios em festivais da canção no norte de Portugal. Após um ano de estudos de composição no Conservatório de Música do Porto, sob orientação do compositor Fernando Lapa, consolidou-se a sua vocação criativa. A influência do professor Luís Manoel Lopes, docente de Formação Musical e Classe de Conjunto, despertou também um interesse duradouro pela composição e pela direção coral.
Durante os anos de formação superior na ESMAE e na Universidade das Artes de Berlim (UdK), dedicou-se principalmente ao aperfeiçoamento do canto. Contudo, em 2014, retomou a composição de forma mais consistente, reabrindo um espaço fundamental para a sua expressão artística.
Entre as suas obras destacam-se dois ciclos de canções sobre poemas de Jorge de Sena, apresentados na Casa-Museu Teixeira Lopes (2014); A Balada do Marinheiro-de-Estrada (Namíbia, 2015); A Dança de Xinganje e Kaviula (2015), criada para a Orquestra Juvenil da Bonjóia; Refúgio – A Arte de Proteger a Floresta (Gondomar, 2020); Cancioneiro dos Animais (2021); Cancioneiro das Flores (2022); e Corpo Amor (Gondomar, 2022), obras que refletem a sua crescente ligação entre criação artística, educação e consciência ambiental.
Ao longo da sua carreira, Ana Maria Pinto tem desenvolvido uma intensa atividade no âmbito da divulgação musical e da formação de públicos. Realizou numerosos Concertos Pedagógicos com a Orquestra do Norte, apresentados em escolas básicas e secundárias de todo o país. No âmbito do projeto Ópera no Património, conduziu igualmente diversas sessões didático-pedagógicas em estabelecimentos de ensino das regiões Norte e Centro. Mais recentemente, integrou iniciativas semelhantes promovidas pela Orquestra Ópera na Academia e na Cidade, reforçando o seu compromisso com a expansão do acesso à música e à ópera.
Em julho de 2021, estreou a obra Gaudeamus, do Maestro Vitorino D’Almeida, uma criação de grande dimensão artística que interpretou em 29 línguas diferentes. A obra foi apresentada no Cine-Teatro Municipal de Elvas (2021), no Teatro Olga Cadaval, em Sintra (2022), e no Coliseu do Porto (2022) e no Capitólio de Lisboa (2024). A colaboração com Vitorino D’Almeida proporcionou-lhe ainda a participação em diversos concertos e eventos culturais em Vila Nova de Gaia, Porto e Guimarães, bem como na Assembleia da República, por ocasião da inauguração de uma exposição do escultor Dinis Ribeiro.
Entre maio e junho de 2023, estreou Metamorfoses de Amor, da compositora Sara Ross, acompanhada pela Orquestra Filarmónica Portuguesa sob a direção do maestro Osvaldo Ferreira. Esta produção integrou uma digressão de oito concertos que culminou na emblemática Philharmonie de Berlim, uma das mais prestigiadas salas de concerto da Europa.
Movida pelo interesse no diálogo intercultural e na aproximação entre diferentes tradições musicais, Ana Maria Pinto desenvolveu o projeto Classic Meets Africa, através do qual promoveu o encontro entre músicos da tradição clássica europeia e artistas da cultura musical africana. No âmbito deste projeto, realizou diversos concertos em Portugal, na Namíbia e na Guiné-Bissau. Gravou também o álbum Xingange & Kaviula, baseado em textos do escritor Miguel Gullander, em colaboração com o cantor angolano Zé Beato.
Em julho de 2019, publicou o seu primeiro livro de prosa poética, Sei o Tamanho da Eternidade, expandindo a sua expressão criativa para o universo literário.
Paralelamente à atividade artística, tem desenvolvido um trabalho consistente na área da pedagogia vocal. Com o propósito de tornar o canto mais acessível e de promover a voz como instrumento de expressão autêntica do ser humano, orientou diversos workshops, entre os quais As Bases da Técnica Vocal e As Sensações do Corpo que Canta. A sua abordagem procura ampliar a prática vocal, valorizando a consciência corporal, a escuta, a expressividade e a intuição.
Desde 2016, organiza também colónias de férias para crianças, onde articula a expressão artística com a educação ambiental e o desenvolvimento da inteligência emocional. Estes projetos refletem a sua visão integradora da educação, da arte e da relação com a Natureza, áreas que constituem o núcleo central do seu percurso humano e profissional.
Em junho de 2024, Ana Maria Pinto criou o movimento PAX MUNDI – À Luz do Anjo da Paz, uma iniciativa dedicada à paz à consciência humana através da arte. No âmbito deste movimento, realizou diversos concertos em alguns dos mais emblemáticos espaços patrimoniais portugueses, entre os quais o Mosteiro da Batalha, o Convento de Cristo e o Santuário de Fátima, conjugando música, espiritualidade e património cultural.
Em 2026, deu início ao projeto Corpo Acústica – Coro Aberto, uma proposta artística participativa centrada na improvisação vocal, na escuta coletiva e na relação entre voz, espaço e paisagem. O projeto tem vindo a desenvolver-se em locais de elevado valor histórico e cultural, incluindo o Mosteiro de Alcobaça e diversos monumentos integrados na Rota do Românico.
Enquanto diretora artística da Novaterra – Associação Cultural Arte e Ambiente, coordena atualmente três coros: o Coro Mãe, com ensaios em Vila Nova de Gaia; o Coro Terra Raiz, em Alcobaça; e o coro infantil Mensageiros da Natureza, em Rio Tinto. Para estas formações, compõe regularmente repertório original e concebe novos espetáculos, promovendo a participação artística, o desenvolvimento humano e a ligação à Natureza.

